Bárbara e os sapatos

Bárbara e os sapatos por Bárbara Freitas

Quando eu era mais nova nunca achava sapatos, meu pé parecia um pão. Não cabia na sandália, na rasteirinha, no chinelo, no tênis… Meu pé chegava a não caber em um tênis! Mas sempre tem uma tia que resolve as coisas. Vinham uns sapatos pra mim lá de Curitiba, que uma parenta de um parente que tinha uma prima que calçava 39/40 comprava em algum lugar. Aí pronto, problema resolvido! Você acha, né?! Nadinha, eu me embelezava, ia para as resenhas e meu pé doía tanto. O pensamento da menina de 12 anos era o seguinte: “Nossa, acho que só pé de mulher gorda dói”. Eu não acreditava que apenas duas horas em cima de um salto fazia o pé doer tanto, é sério.
Passou, de 16 para 17 anos emagreci 20 quilos. Isso não significou que eu estava esbelta, uma Luana Piovani. Significou vestir entre 40 ou 42. Mas… Mas o meu pé continuava doendo! Como já estava mais velha, usava um salto maior ainda e reparava as mulheres dançando, o que para mim significava sem dor no pé. Me lembro de ter ido embora de uma festa de tanto que meu pé doía. Estava com aqueles scarpins, o bico da frente era tão estreito que juntava todos os meus dedos. Nossa, quando cheguei em casa e tirei parecia ter ganhado na Mega  Sena.

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Novamente o tempo passou, nessa altura do campeonato já estava na faculdade e o pezinho 39? Ia para Monalisa e chegava em casa só o lixo. Depois de um ano morando em Valadares conheci uma mulher que mudou minha vida. Descobri que todos os pés doíam. A Nêga não me fez só descobrir que mulheres magras sentiam as mesmas dores e incômodos que eu, ela me ensinou a ousar mais na maquiagem, diminuir o tamanho da argola, que algumas roupas deveriam ser mais compridas e que o bacana é ser mulher moderna e independente. Me lembro da Nêga dizendo: “Amiga, deixa eu passar um batom em você, mulher tem que andar maquiada”. Enfim, ela ia para a boate com um sapato lindo do salto enorme, gigante e chegava em casa calçada. Isso mesmo, ela não tirava o sapato dentro do carro, como eu faço quando entro nele. Ela diz: “Meu pé pode sangrar, mas tirar o sapato? Gata, jamais…”

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Agora eu já descobri o segredo. Todos os pés doem, doem muito, é só você reparar as artimanhas usadas pelas mulheres pra disfarçar, pra aliviar um pouco. Em uma festa, se a mulher meio que dobrar o joelho, andar mais devagar, ficar parada que nem estátua, escorar demais no namorado (esse disfarce é o mais engraçado), sentar e rodar o calcanhar pode começar a rir. O pé dela está sentindo a dor do parto. Até as que dançam a bebida ajuda a aliviar a dor, mas mesmo assim.  Dor nos pés, meu amor, são para todas!

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4 pensamentos sobre “Bárbara e os sapatos

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